Revista Variety publica primeira crítica ao documentário “Framing Britney Spears”

A revista Variety, uma das revistas de entretenimento mais famosas do mundo, teve acesso antecipado ao documentário Framing Britney Spears, que fará parte da série jornalística The New York Times Presents, uma parceria entre Hulu e o canal FX, com previsão de estreia nos Estados Unidos para o dia 5 de fevereiro.

Foto de bastidor fornecida por Felicia Culotta, assistente de longa data de Britney

Confira a tradução na íntegra, com comentários no final:

‘Framing Britney Spears’ é uma visão clara de uma vida pública que foi silenciada: resenha de TV
Por Daniel D’Addario
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Britney Spears foi um símbolo durante toda a sua vida pública. E, mesmo durante sua reclusão, não paramos de vê-la como às vezes mais, ou menos, uma pessoa.
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O novo documentário dirigido por Samantha Stark “Framing Britney Spears”, produzido pelo New York Times e Left/Right, que será exibido no dia 5 de Fevereiro no canal FX e no Hulu, observa os dois lados da experiência com a fama que a super estrela do pop teve. Desde a infância, Spears colocou seus talentos no que a indústria fonográfica colocou à sua disposição: uma espécie de notoriedade plana e inofensiva, uma vida como uma imagem na qual os espectadores poderiam imaginar qualquer coisa, virtuosa ou não. Depois de uma pausa – as bem documentadas batalhas de Spears com a saúde mental no final dos anos 2000, que acabaram em um hiato em sua carreira e também testando seus relacionamentos pessoais – a artista voltou em uma demonstração de força, fazendo música e dinheiro sob a supervisão de seu pai, que detinha um novo poder com legal sobre suas decisões, uma curatela que perdura até hoje. (“Sim, ela pode!” Dizia a capa da Rolling Stone da era Obama anunciando seu ressurgimento; o que ela podia fazer foi deixado vago.) Nos últimos anos, o afastamento de Spears do trabalho aumentou, para seus fãs mais devotos, a noção de que o palco dessa artista pode simplesmente ter mudado – que, por meio das redes sociais, ela está subvertendo o controle de homens poderosos e transmitindo mensagens que só os fiéis podem entender.
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Essas duas existências são icônicas, com tudo que a palavra indica: não apenas uma espécie de impacto indelével, mas um desnudamento da humanidade aos olhos de quem vê. E qualquer uma das coisas, como uma lousa em branco do pop adolescente ou um objeto isolado de devoção, seria muito para qualquer pessoa ter suportado. Em uma só vida, Spears consegue ser os dois: um fascinante documento vivo de como a nossa cultura trata aqueles que pretendemos amar, e em um caso profundamente triste. No geral, Stark atinge um equilíbrio apropriado, movendo-se com rigor nítido e uma franqueza irrestrita, porém respeitosa, através da história de Spears. Percorremos o gosto inicial de Spears pelo estrelato com comentários editoriais limitados, mas com documentos escolhidos astutamente sobre o que, exatamente, empurrou Spears para a alienação de seu trabalho e dela mesma: Áudio do ex-namorado Justin Timberlake falando grosseiramente no rádio sobre Spears, por exemplo. Ou a filmagem do apresentador de “Star Search”, Ed McMahon, se dirigindo a Spears de dez anos de idade, que apresentou no programa uma versão assustadora de “Love Can Build a Bridge” com o mesmo timbre e gorjeio vocal que ela carregaria até a idade adulta. “Você tem um namorado? Por que não?” o anfitrião de cabelos grisalhos e óculos pergunta à criança antes dele. “Eu não sou malvado. E quanto a mim?”.
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Sempre foi assim com Spears: o documentário traça um padrão para a cantora, no qual aspectos de seu estilo e comportamento eram interpretados de forma exagerada e outros descartados por não se adequarem à história de uma estúpida sexualidade voraz. A história de Spears já foi contada antes, e de forma mais abrangente – a história de capa da Rolling Stone, escrita por Vanessa Grigoriadi, de 2008 “A Tragédia de Britney Spears”, que veio alguns meses antes do retorno de Spears ser anunciado, é um dos melhores perfis de celebridade divulgados durante minha vida adulta, e deve ser o primeiro recurso ao qual qualquer pessoa interessada no início da vida de Spears pode recorrer. Mas “Framing Britney Spears” se beneficia do poder da curadoria. A reportagem que ele acrescenta também reforça o sentimento de Spears como uma pessoa de quem algo foi tirado: Felicia Culotta, uma figura familiar ao fandom de Spears como a assistente da cantora, fala longamente diante das câmeras sobre a artista, e a pessoa, que ela amou. “A única razão pela qual concordei em dar a entrevista”, diz Culotta, “é para que pudéssemos lembrar às pessoas por que se apaixonaram por ela em primeiro lugar”.
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Esse amor perdura até o presente e, para muitos, se expressa na linguagem da perseguição. Vemos, assustadoramente, a cultura de perseguição de celebridades em meados e no final dos anos 2000 em Los Angeles, com paparazzos literalmente lutando uns contra os outros por uma visão melhor de uma estrela que às vezes parecia querer afastá-los. Os fãs que seguem a iteração atual de Spears – com a cantora semi-aposentada, legalmente limitada a falar livremente e passando o tempo postando fotos prosaicas e idiossincráticamente legendadas de sua vida doméstica no Instagram – a perseguem de uma maneira diferente. O documentário nos apresenta a vários leitores atentos das postagens de Spears, incluindo os apresentadores de um podcast que apresenta teorias sobre a situação legal de Spears.
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Este documentário foi bem meticuloso em assimilar a ideia de que a tutela de Spears é parte de um padrão de uso indevido ao longo da vida – incluindo uma entrevista com um advogado que havia participado da equipe jurídica do pai de Spears e posteriormente reingressado, dando a sensação de que todos no mundo fazem parte de uma conspiração contra a cantora. Se transmitir teorias da conspiração por completo parece um tanto inferior ao (New Yor) Times, o documentário restaura o equilíbrio rapidamente. Sem inclinar a mão de qualquer maneira, “Framing Britney Spears” fornece ar tanto para grandes teorias de Spears quanto para os proponentes dessas teorias explicando sua crença em termos acertados. “Talvez eu esteja delirando, talvez não saiba. Eu deveria apenas ouvir as pessoas que ‘a conhecem’ ”, diz um proponente, usando aspas sarcásticas dos dedos. “Mas então você começa a conectar os pontos e começa a falar com pessoas que têm exatamente os mesmos pensamentos de que isso não está certo …” Ela para, depois de dizer apenas o suficiente para deixar claro que está falando sobre uma estrela pop e não QAnon.
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Talvez seja difícil acreditar que Spears está falando em código, porque mesmo falando diretamente, ela conseguiu muito pouco. Vemos filmagens do início da carreira da cantora em que ela insiste que está no controle de sua arte e mensagem, declarações que os comentaristas ignoraram até que foi tornada falsa por força da lei. Por que se preocupar em tentar se comunicar com um público que a interpretou mal e a abusou? “Se eu estiver errado”, um fã e o chamado “ativista #freebritney” nos diz, “e um dia Britney aparecer e nos dizer que estamos errados e para deixá-la em paz, faremos exatamente isso”. É difícil acreditar que seja verdade, até porque os gritos de Spears, ao tentar levar a sua carreira do seu próprio jeito, não foram ouvidos.
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O romance com a ideia de que Spears fala em código vem em parte porque ela é o único membro de sua classe de celebridades que não compartilhou significativamente seu lado da história. A companheira de festa de Spears em meados dos anos 2000, Paris Hilton, lançou recentemente um documentário em primeira pessoa; sua colega de classe do mundo pop Jessica Simpson publicou um livro de memórias no ano passado. Como o filme mostra, Spears não falava em público de forma significativa desde um documentário da MTV de 2008, destinado a promover seu retorno, mas infelizmente vibrando de tensão e angústia. (Imagens de Spears ansiando por ser libertada da tutela são reproduzidas aqui.)
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O silêncio de Spears sobre sua situação é sua própria tragédia, porque parece que a situação causou o silêncio. “Framing Britney Spears” não chega a conclusões, mas levanta questões, por meio de processos judiciais recentes em nome de Spears. (Traz) A ideia de que Spears pode, de fato, ser grata pelos cuidados de seus fãs online. Isso também causaria uma mudança, algo que Spears, que tem todos os motivos para desconfiar de qualquer um que se autodenominasse um fã e, portanto, a consumiu quando caiu, merece. Este filme oferece uma espécie de retrato de bolso de uma pessoa a quem a liberdade foi negada e para quem essa negação não é nenhuma surpresa. Antes de seu pai, a cultura que a idolatrava também a mantinha em cativeiro.

Ao que parece, o documentário será positivo no sentido de trazer à tona a situação de Britney para o grande público (que não a acompanha na mesma forma que a nós, fãs). Muita gente não consegue entender a vida de Britney há muito tempo, e essa crítica dá a entender que o documentário foi bem sucedido em relevar os traumas e problemas que ela enfrentou durante a fama (Justin, declarações de Felicia), que acabaram a levando ao aprisionamento legal.

Acredito que os fãs devem aguardar com cautela a estreia, e não esperem que o documentário levante uma bandeira ‘#FreeBritney’ no final – até porque não parece ser o objetivo aqui. Pelo visto, será uma análise da fama usando Britney como um exemplo, mostrando as consequências extremas que esta pode proporcionar. Ao mesmo tempo, na atual situação, levantar questões é bastante positivo!

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